Não é ficção científica nem alarmismo. É um processo em curso, silencioso e acelerado, que está já a transformar o mercado de trabalho português.
A inteligência artificial está a chegar a funções que muita gente julgava completamente seguras, e os números concretos sobre Portugal obrigam a uma reflexão que vai muito além do debate académico.
Verifica neste artigo como a IA está a substituir empregos em Portugal.
Os números que ninguém quer ouvir
Um estudo da Randstad revela que a inteligência artificial pode eliminar 481 mil empregos em Portugal.
Por outro lado, a mesma tecnologia será responsável pela criação de 401 mil novos postos de trabalho, resultando num saldo líquido negativo de cerca de 80 mil empregos na próxima década.
O número parece assustador isolado.
Em contexto, é mais complexo.
A maioria dos trabalhadores, cerca de 3,7 milhões, não sentirá qualquer impacto direto com a expansão da inteligência artificial, enquanto apenas 16% dos atuais postos de trabalho estão verdadeiramente expostos à substituição.
Não são os empregos que pensavas
A surpresa maior está em quais os empregos mais vulneráveis.
Ao contrário das anteriores fases de automação associadas à robótica, a inteligência artificial está agora a atingir tarefas complexas, analíticas e qualificadas, tradicionalmente consideradas menos vulneráveis à substituição tecnológica.
Cerca de 12,5% das profissões analisadas ultrapassam o limiar de 30% de tarefas automatizáveis, considerado o ponto a partir do qual uma profissão pode sofrer uma transformação profunda.
Os setores mais afetados em Portugal são o comércio e reparação de veículos, com uma perda líquida de 24 mil empregos, as atividades administrativas, com 18% dos postos de trabalho em risco de eliminação, e os serviços financeiros e seguros, que fecham o pódio dos mais expostos.
Onde estão os novos empregos
A má notícia vem sempre acompanhada de outra.
O Fórum Económico Mundial prevê a criação de 170 milhões de novos postos de trabalho a nível global, com destaque para especialistas em big data, engenheiros de fintech, peritos em inteligência artificial, analistas de dados e gestores de informação como as profissões com maior crescimento relativo.
Em Portugal especificamente, a criação de novos empregos será mais expressiva na área informática e das telecomunicações, com um saldo positivo de quase 22 mil postos de trabalho, e nas indústrias transformadoras, que deverão criar 66 mil empregos à boleia da inteligência artificial.
O que dizem os especialistas portugueses
Não se antecipam despedimentos massivos em Portugal como consequência direta da tecnologia.
O que se observa é uma reengenharia de funções.
O desafio real será atrair, reter e desenvolver talento qualificado para que as empresas possam explorar plenamente as oportunidades que a tecnologia oferece.
A tecnologia não significa necessariamente perda líquida de empregos, mas transformação dos mesmos, segundo os especialistas da PwC.
E 13% dos profissionais inquiridos acreditam que a força de trabalho aumentará pelo menos 3% por efeito da IA, confirmando que a tecnologia pode também criar empregos.
O que podes fazer já
A resposta dos especialistas é unânime: formação.
A procura por formação em inteligência artificial vai aumentar de forma transversal, sendo que este período será um ano de descoberta de aplicações de IA a problemas e tarefas concretos nas organizações, segundo o professor João Cerejeira da Universidade do Minho.
As competências interpessoais, como a comunicação, a criatividade e a resolução de problemas, ganham uma importância acrescida, já que são menos suscetíveis à substituição tecnológica e fundamentais para a empregabilidade a longo prazo.
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