A memória RAM é um dos componentes mais debatidos quando se fala em desempenho de smartphones. Mas a verdade é que a resposta à pergunta “quanta RAM preciso?” depende muito de quem está a fazer a pergunta.
Um utilizador casual não tem as mesmas necessidades de um gamer ou de um criador de conteúdo. Vamos então perceber, com detalhe, o que cada perfil realmente exige.
O que faz exatamente a RAM num smartphone?
Antes de entrar nos números, é importante perceber o papel da memória RAM. Ao contrário do armazenamento interno, a RAM não guarda ficheiros permanentemente — serve para manter aplicações ativas em segundo plano e garantir que o sistema operativo funciona com fluidez.
Quando abres o Instagram, respondes a uma mensagem no WhatsApp e voltares ao Instagram sem que a aplicação recarregue do zero, é a RAM que torna isso possível. Quanto mais RAM, mais aplicações ficam ativas simultaneamente e mais rápida é a experiência de multitarefa.
No entanto, a RAM por si só não chega. O processador, a otimização do sistema operativo e a gestão de memória do fabricante também influenciam muito o resultado final. Um Android bem otimizado com 8 GB pode superar um concorrente com 12 GB mal gerido.
4 GB de RAM: ainda faz sentido em 2026?
A resposta curta é: cada vez menos. Em 2026, smartphones com 4 GB de RAM ficam-se por segmentos de entrada muito básicos, geralmente abaixo dos 100 a 150 euros.
Para utilizadores que fazem chamadas, enviam mensagens, usam WhatsApp, Facebook e navegam esporadicamente na internet, 4 GB ainda pode ser suficiente — desde que o fabricante faça um trabalho sério de otimização do software.
O problema surge com o tempo. Com as atualizações do Android a exigirem cada vez mais recursos, um smartphone com 4 GB tende a tornar-se lento e frustrante ao fim de dois anos. Para quem pretende usar o dispositivo por três ou quatro anos, este valor já não é recomendável.
8 GB de RAM: o ponto de equilíbrio para a maioria
Para o utilizador médio português — aquele que usa redes sociais, streaming, Google Maps, tira fotografias e faz videochamadas ocasionais — 8 GB de RAM representa hoje o equilíbrio ideal entre preço e desempenho.
Nesta faixa encaixam-se smartphones como o Samsung Galaxy A55, o Nothing Phone (2a) ou o Motorola Edge 50 Neo, todos disponíveis entre os 300 e os 450 euros e com desempenho mais do que satisfatório para o dia a dia.
Com 8 GB, é possível ter várias aplicações abertas em simultâneo sem quebras visíveis, jogar títulos como Call of Duty Mobile ou PUBG com definições médias e gravar vídeo em 4K sem que o sistema entre em colapso.
12 GB de RAM: para quem exige mais
Quem utiliza o smartphone de forma mais intensa começa a sentir a diferença a partir dos 12 GB. Este valor é especialmente relevante para:
- Utilizadores que editam vídeo ou fotografia diretamente no telemóvel (apps como Lightroom Mobile, CapCut ou LumaFusion)
- Gamers que jogam títulos exigentes como Genshin Impact nas definições máximas
- Profissionais que alternam entre dezenas de abas no browser e ferramentas de produtividade
- Utilizadores de funcionalidades de IA generativa integradas no sistema, como o Galaxy AI da Samsung
Com 12 GB, a multitarefa torna-se verdadeiramente fluida. Aplicações pesadas ficam em memória por mais tempo, o sistema responde de forma mais imediata e a experiência geral parece mais premium — porque, na prática, é.
16 GB ou mais: território premium e futuro da IA
Os topos de gama de 2026 — como o Samsung Galaxy S26 Ultra, o iPhone 17 Pro Max ou o OnePlus 13 — chegaram com 16 GB de RAM ou mais. Mas para que serve tanto?
Há dois anos, esta pergunta teria uma resposta difícil de justificar para o utilizador comum. Hoje, a resposta chama-se inteligência artificial local. Funcionalidades como o Apple Intelligence, o Galaxy AI ou as ferramentas Gemini da Google precisam de RAM para processar dados diretamente no dispositivo, sem recorrer à cloud.
Isto significa que, à medida que a IA generativa se integra cada vez mais nos sistemas operativos móveis, 16 GB de RAM deixará de ser um luxo para se tornar uma necessidade nos segmentos mais avançados. Para o utilizador comum, ainda é excessivo — mas quem compra um flagship para durar cinco anos começa a ter um argumento sólido.
iOS vs Android: a RAM não funciona da mesma forma
É impossível falar de RAM em smartphones sem referir a diferença entre iOS e Android. A Apple é famosa por fazer muito com pouco: o iPhone 16 base tem apenas 8 GB de RAM e supera em fluidez muitos Android com 12 GB.
Isto deve-se à integração total entre hardware e software que a Apple controla de ponta a ponta. No universo Android, essa otimização varia muito de fabricante para fabricante, o que torna a comparação direta de valores de RAM pouco fiável sem contexto.
Conclusão: não existe um número perfeito, existe o número certo para ti
A memória RAM ideal depende do perfil de utilização, do ecossistema (iOS ou Android), do tempo que planeias usar o dispositivo e do orçamento disponível. Para o utilizador português médio, 8 GB é hoje o mínimo recomendável para uma compra que dure dois a três anos.
Quem quiser mais margem ou usa o smartphone de forma intensiva, 12 GB é o investimento certo. E para quem vive na vanguarda da IA e da criação de conteúdo, 16 GB começa a fazer cada vez mais sentido. A RAM não é tudo — mas ignorá-la pode custar caro a médio prazo.




