A empresa por detrás do ChatGPT está a desenvolver um smartphone de ia.
Mas não um telemóvel comum.
Segundo o analista Ming-Chi Kuo, da TF International Securities, trata-se de um “AI agent phone”, um dispositivo onde a inteligência artificial substitui as aplicações tradicionais.
O fim do ecrã cheio de apps
A ideia é radical. Em vez de uma grelha de ícones que abres, deslizas e tocas repetidamente, simplesmente dizes ao agente de IA o que queres fazer, e ele faz por ti.
Nas palavras do próprio analista, “os utilizadores não estão a tentar usar um conjunto de apps. Estão a tentar concluir tarefas e satisfazer necessidades através do telemóvel.”
É uma mudança de paradigma com décadas de atraso, na opinião de muitos especialistas.
O modelo atual de ecrã inicial com apps foi introduzido pela Apple em 2007 e nunca foi verdadeiramente desafiado.
A OpenAI pode estar prestes a fazê-lo.
Quem está envolvido no projeto
Segundo Kuo, a OpenAI estaria a desenvolver um chip para smartphone em conjunto com a MediaTek e a Qualcomm, com a Luxshare como parceira de co-design e fabrico.
São nomes com peso real na indústria.
A Qualcomm alimenta a maioria dos Android de topo. A MediaTek domina o segmento intermédio. A Luxshare já fabrica componentes para a Apple.
O diretor de Assuntos Globais da OpenAI, Chris Lehane, confirmou anteriormente que a empresa está a caminho de anunciar o seu primeiro produto de hardware na segunda metade deste ano.
Relatórios anteriores apontavam para umas auriculares. Agora, o cenário mudou e um smartphone parece cada vez mais provável.
Por que razão isto ameaça a Apple e o Google
O motivo é simples e poderoso.
Atualmente, a Apple e o Google controlam o pipeline de apps e o tipo de acesso ao sistema que estas obtêm, restringindo algumas das suas funções.
Um smartphone da OpenAI construído de raiz em torno de agentes de IA contornaria estas restrições por completo.
Não haveria App Store. Não haveria Play Store. Haveria apenas um agente que executa tarefas diretamente, sem intermediários.
Para a Apple e o Google, cujos modelos de negócio dependem em grande parte das comissões cobradas nas suas lojas de aplicações, isto não é uma ameaça menor. É existencial.
O que são exatamente os agentes de IA
Um agente de IA é diferente de um assistente de voz como a Siri ou o Google Assistant.
Estes respondem a perguntas e executam comandos simples.
Um agente de IA planeia, decide e executa sequências de tarefas complexas de forma autónoma.
Pedes-lhe que marque um voo, reserve um hotel e informe os teus contactos da viagem, e ele faz tudo sem que toques em nenhuma app.
É a diferença entre um assistente que responde e um assistente que age.
Quando podemos esperar saber mais
A OpenAI não comentou a notícia no momento em que esta foi publicada.
No entanto, com o anúncio de hardware previsto para a segunda metade deste ano, é provável que os próximos meses tragam confirmações ou desmentidos oficiais.
O mercado dos smartphones não vivia uma ameaça desta dimensão há muito tempo.




