Inteligência Artificial

Como a inteligência artificial decide o que te mostra no feed todos os dias

Como a inteligência artificial decide o que te mostra no feed todos os dias

Abres uma aplicação e, em segundos, já estás a ver exatamente o tipo de conteúdo que costuma prender a tua atenção.

Não é coincidência. É o resultado de um sistema que analisa, em tempo real, milhares de sinais sobre ti.

Como é que uma aplicação sabe tão bem o que te vai interessar, muitas vezes antes de tu próprio saberes?

Milhares de decisões por segundo

Por trás de cada feed está um sistema de recomendação: um conjunto de regras e cálculos que decide, para cada utilizador, qual o conteúdo a mostrar e por que ordem.

Em 2019, o motor de recomendação do Instagram Explore processava cerca de 65 mil milhões de sinais e fazia 90 milhões de previsões por segundo, segundo dados citados por investigadores da área. Hoje, esse volume é ainda maior.

Cada like, cada segundo a mais a ver um vídeo, cada partilha e cada scroll rápido para saltar um conteúdo alimenta o sistema com informação sobre o que realmente prende a tua atenção, não apenas o que dizes gostar.

O verdadeiro objetivo não é agradar-te

A maioria destes sistemas foi construida com um único critério de sucesso: manter-te a usar a aplicação o máximo de tempo possível.

Isso nem sempre coincide com mostrar-te o que mais gostarias de ver. Muitas vezes, o conteúdo que gera mais reação emocional, positiva ou negativa, é também o que fica mais tempo no teu ecrã.

É esta lógica que explica porque é tão fácil sentir que o feed “sabe demasiado” sobre ti, mesmo quando nunca pesquisaste diretamente por aquele tema.

Nem toda a plataforma usa os mesmos sinais

O TikTok dá grande peso ao som usado, às legendas e a temas relacionados com vídeos que já viste. O YouTube analisa sobretudo o tempo total de visualização e os vídeos anteriores que gostaste ou subscreveste.

Isto explica porque o mesmo utilizador pode ter um feed muito diferente em cada aplicação: cada uma interpreta o comportamento de forma distinta e otimiza para objetivos ligeiramente diferentes.

Um clique não apaga o histórico

Carregar em “não gosto” ou “não me interessa” parece a forma óbvia de corrigir o feed. Mas, segundo um estudo da Mozilla, esse tipo de ação evita apenas cerca de 12% das recomendações indesejadas seguintes.

O sistema continua a dar mais peso ao histórico acumulado de comportamento do que a uma única rejeição explícita.

O que podes fazer para influenciar o teu feed

  • interage de forma consciente: seguir, gostar e comentar tem mais peso do que apenas ver;
  • usa os filtros de conteúdo e as opções “não estou interessado” de forma consistente, não apenas uma vez;
  • lembra-te de que passar mais tempo a ver algo, mesmo por curiosidade ou irritação, ensina o algoritmo a mostrar-te mais disso.