Os filmes de ficção científica adoram este momento: alguém perde o capacete no vazio do espaço e explode, ou congela instantaneamente como um cubo de gelo.
Nenhuma das duas coisas está certa. A realidade é menos espectacular do que Hollywood mostra, mas não menos mortal.
Não, o corpo não explode
A pele é praticamente impermeável ao ar e forte o suficiente para resistir à diferença de pressão entre o interior do corpo e o vazio exterior. Nada rebenta.
O que acontece é mais subtil: sem pressão atmosférica, os líquidos do corpo passam a ferver a uma temperatura muito mais baixa do que ao nível do mar. A saliva e as lágrimas começam a evaporar quase de imediato.
Também não congelas instantaneamente
No vazio, a única forma de perder calor é por radiação, um processo lento para um corpo relativamente pequeno como o humano. Não há ar à tua volta a roubar-te calor por contacto, porque simplesmente não há ar.
Por isso, ao contrário do mito, não te transformarias num bloco de gelo em segundos. O verdadeiro perigo imediato é outro.
O que realmente mata primeiro é a falta de oxigénio
Um especialista da NASA explicou que o sangue transporta oxigénio suficiente para manter a atividade cerebral durante cerca de quinze segundos após a exposição ao vazio.
Passado esse tempo, perde-se a consciência. A morte cerebral completa segue-se dentro de cerca de três minutos, salvo se houver repressurização imediata.
Um engenheiro da NASA já viveu quase isto
Em 1966, durante um teste de um protótipo de fato espacial numa câmara de vácuo, a mangueira que alimentava o fato de Jim LeBlanc, engenheiro aeroespacial da NASA, desligou-se acidentalmente.
LeBlanc perdeu a consciência em segundos, mas a equipa repressurizou a câmara a tempo de o salvar, sem sequelas permanentes. O caso continua a ser uma das poucas referências reais de exposição humana a um quase-vazio.
Da próxima vez que vires um astronauta a vestir aquele fato aparentemente exagerado, sabe que cada camada tem uma razão muito concreta para existir.





